Os desafios da TI na era pós surgimento COVID-19

É inegável que a aceleração para adoção de tecnologia em praticamente todos os setores da economia veio como uma avalanche após o isolamento e restrições causadas pela pandemia. As iniciativas de transformação digital, que vinham em um ritmo moderado, foram atropeladas pelas novas exigências urgentes impostas ao negócio. Novos modelos de negócios, novas ferramentas, novas experiências e um mundo de oportunidades a ser descoberto surgem e parece que todos nós nos mudamos para um novo país, cuja o idioma é desconhecido e estamos nos adaptando para poder nos comunicar. Toda mudança possui uma curva de aprendizado, causa insegurança, mas com o tempo as “coisas entram no lugar” e quando percebemos, os benefícios e o salto de qualidade de vida é enorme, permite alcançar resultados fantásticos, em todos os sentidos, para quem consome e para quem provê.

Trabalho remoto para o setor de TI não é novidade

A demanda da área de TI cresceu muito, apesar de muitos setores serem afetados, a tecnologia é meio no processo de transformação digital e nada mais natural que houvesse esse aumento. O impacto no formato de atuar e se comunicar causado nas empresas desse segmento foram baixos, pois já era um setor que estava relativamente adaptado a esse formato, empresas referências como Uber, Facebook, Dell, entre outras, já apresentavam esse modelo que era seguido por muitos, talvez não 100%, mas eventualmente com trabalhos remotos. Assim, a infraestrutura e processos necessários já faziam parte do modus operandi da maioria das empresas, virar a chave para ficar 100% remoto não foi um problema.

O desafio do setor está nas pessoas

Não é novidade que há um excesso de vagas e ausência de mão de obra qualificada no setor de TI. Em janeiro desse ano, de acordo com a pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), 70 mil profissionais serão demandados por ano até 2024. Porém, há um forte descasamento entre oferta e demanda: o país forma 46 mil pessoas com perfil tecnológico por ano. Ou seja, um déficit de 24 mil especialistas anualmente.

Além do problema de encontrar profissionais, temos o grande desafio de retê-los. A alta demanda que já existia e que se agravou na era pós-covid, torna essa tarefa ainda mais desafiadora.

Hoje o profissional não busca apenas uma boa remuneração, a cultura da empresa, formato de trabalho e principalmente uma característica que é difícil de medir: “o bem estar”. Atenção a esses pontos permite o colaborador se sentir parte de um time, verdadeiramente, valorizado e não apenas um número.

A experiência é que faz a diferença

Muito se fala em satisfação e experiência do cliente durante todo o período em que o cliente tem contato com a empresa, nos canais de comunicação, atendimento, negociação, fechamento da venda, pós-venda e o tempo de uso do produto ou serviço. Esse foco no cliente é tão importante quanto o foco nos colaboradores! Essa mesma atenção é fundamental para atrair e reter talentos, pois é a experiência e o nível de satisfação que contará nos momentos em que o colaborador sofre assédio de outras empresa (o que é inevitável) e querer seguir com processos seletivos e avaliação de outras oportunidades, bem como tomar a decisão de sair da empresa por uma experiência mais rica, que lhe traga mais satisfação.

Líderes que saibam gerenciar pessoas

Liderança forte, capacitada para gerir pessoas, que dê atenção individualizada para o time atual. As vezes apenas escutar já é suficiente. Colher feedback, montar planos de ação, estar presente, ter recorrência e um processo de acompanhamento que permita apresentar os resultados obtidos e apresentar pontos que precisam ser ajustados, com uma comunicação efetiva, não violenta e com uma linguagem mais empática, porém estabelecendo limites e não fugindo dos incômodos. Esse tipo de comunicação não significa falar manso ou evitar os problemas de relacionamento, e sim encará-los, mas com uma postura de menos julgamento e mais diálogo, com foco na solução.

Reconhecer, bonificar, valorizar, lembrar e priorizar as pessoas, são ações que precisam fazer parte da cultura da empresa, precisam estar no DNA, assim poderemos ter sucesso na retenção de talentos e apresentar um ambiente atrativo para novos integrantes.

Por Luiz Garcia